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Mostrando postagens de janeiro, 2018

eu, poste

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Naquela noite sonhou ser um poste. Parada, estagnada, imóvel no calçadão. Sem voz, sem ouvidos, sem coração. Olhos, por algum motivo, ela tinha. Observava tanta vida passar por ela, com pressa, à noite, feito vela. Via amantes, meliantes, mulheres, crianças. Servia de apoio para os bêbados e de composição para os fotógrafos. Mulheres sendo abusadas, furtos a rodo, animais maltratados, nada podia fazer. Não tinha pele ou nariz sequer para sentir o que significava o líquido que os cachorros dela depositavam. Borboletas e pombos voavam contra a luz do sol, amigos aos pares sorriam como se não houvesse amanhã... Não se movia, mas se encantava. Continuava parada e no centro do ferro fundido, sentiu de leve um movimento perdido. Pulsou. Entendeu que ali nascia um coração. Batia de leve, não bombeava sangue, mas crescia aos poucos... Foi quando ela acordou, móvel e com vontade de andar. Naquela manhã, olhou para todos no calçadão com mais apreço. E na sombra, se viu parte dele .

domingo

Domingo é dia de folia Mas é daquelas internas Calmas, sem gritaria... Dia de olhar para o céu e decifrar cantigas Comer sem pressa, deixar a louça na pia Esperar a noite chegar tranquila E então calar no quarto escuro  Ouvir a chuva cair fria E aqui, deitada no teu peito Nem ouso respirar Que é pra não afastar do meu ouvido O som do seu coração pulsando Cantando, cada vez mais calmo No tempo das gotas que caem na janela Enquanto você dorme E sonha... Até domingo.