Um texto perdido em arquivos (A deixa de 2015)
Era uma noite de sábado qualquer. As buzinas cantavam e os faróis iluminavam. Meu quarto estava escuro, a pouca luz ao redor tinha origem na vela posicionada em um dos cantos do cômodo. A música tocava baixinho, quando enfim ele chegou. Meu coração estava acelerado, excitado com a noite que, ilusoriamente, estava por vir. Beijei teus lábios, como de costume, sentei na cama, peguei na tua mão, esperando que caísse com seu corpo sobre mim... Foi quando de sua boca saíram pregos, perfurando toda essência da expectativa, todo conforto que surgiu em meu peito no momento em que, horas atrás, foi declarado estar tudo bem. Cada palavra - e eram elas previamente pensadas, obviamente - caíam em meus ouvidos como caem gotas de ácido na pele. Ardia meu peito, amargava minha boca, retornava toda dor que havia sido deixada para trás há alguns meses. "eu te amo, sempre vou amar. Você é maravilhosa, mas não posso mais lidar com nossa relação", ele disse. Não sentia verdade naquelas palavras...