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Mostrando postagens de julho, 2016

Um texto perdido em arquivos (A deixa de 2015)

Era uma noite de sábado qualquer. As buzinas cantavam e os faróis iluminavam. Meu quarto estava escuro, a pouca luz ao redor tinha origem na vela posicionada em um dos cantos do cômodo. A música tocava baixinho, quando enfim ele chegou. Meu coração estava acelerado, excitado com a noite que, ilusoriamente, estava por vir. Beijei teus lábios, como de costume, sentei na cama, peguei na tua mão, esperando que caísse com seu corpo sobre mim... Foi quando de sua boca saíram pregos, perfurando toda essência da expectativa, todo conforto que surgiu em meu peito no momento em que, horas atrás, foi declarado estar tudo bem. Cada palavra - e eram elas previamente pensadas, obviamente - caíam em meus ouvidos como caem gotas de ácido na pele. Ardia meu peito, amargava minha boca, retornava toda dor que havia sido deixada para trás há alguns meses. "eu te amo, sempre vou amar. Você é maravilhosa, mas não posso mais lidar com nossa relação", ele disse. Não sentia verdade naquelas palavras...

Gozo da espera, a pele dos deuses!

É tênue a linha que separa a pele do êxtase  Fina, imperceptível, quase inexistente. Cada músculo que se move sob ela se assemelha a dança das nuvens no céu... lenta, degustativa, pura. Da unha que arranha as costas ao beijo que antecede o gozo, é na textura do conjunto de células epidérmicas que mora a delícia de todo e qualquer fetiche. Nos anos de espera o encontro tomou forma Diferente de toda experiência já vivida, O toque, a pele, o sabor, me deixaram como há muito não sentia... Eu sabia que deixaria. Dois corpos que há tanto tempo se entendiam, mas pouco se tocaram,  viram ali as preliminares de 600 dias gozando enfim. Nada antes, nem depois. Só suor, sexo e poesia.

Essa foto não está em preto e branco!

Imagem
Em primeiro lugar: essa foto não está em preto e branco. Eu a tirei da janela de meu quarto em uma manhã muito fria, e eu não me lembro exatamente da razão que a fez ficar dessa cor. Mas é por meio desse fato que vou começar a desenvolver a ideia desse texto: parecia preto e branco, mas não era. Os últimos meses da minha vida têm estado tão incríveis quanto confusos. Apesar da constante organização interna, do meu corpo pra fora tudo se modificava de uma forma com a qual eu não podia lidar muito bem. Pela primeira vez amei, de fato, alguém com quem me envolvi romanticamente. Amei com tal intensidade que nem pensava ser possível. Ao perdê-lo (se é que um dia o tive), sem perceber, um tapete embaixo de meus pés foi sendo puxado aos poucos. Foi sendo puxado com tanta sutileza que eu nem sequer percebi. Quando me dei conta, lá estava eu, matando a segunda garrafa de vinho, rodeada por fotografias que não significavam muito mais que um final de semana feliz, tentando aceitar a natureza d...

Gustavo: legenda de uma foto não publicada

Dá-me teu calor, que aquece carne e coração. Envolva-me até a vinda do sol poente... Porque foi nessas terras frias que encontrei, Dentro dos teus braços, o melhor lugar do mundo.

365

Qual o tamanho do mundo que inventamos nos 365 dias desde nosso primeiro encontro? Tudo que se passou, desde o segundo em que nos embramamos no banheiro mofado da casa cheia... O que aconteceu até os últimos minutos que antecederam minha fuga de sua casa em um domingo ensolarado. Um mundo de estrofes foram escritas por nossos corpos. Ouço o relógio cada vez mais alto, cada vez mais baixo, cada vez mais longe, cada vez mais mentiroso. Quanto tempo cabe em oito mil e setecentas e sessenta horas? Sete meses que arrasaram com a força de anos, que desenharam sutilmente o fim de nossas noites, nossos finais que semana, que já era previsto. O gramado sob nossos pés nas tardes no parque, as manhãs preguiçosas que seguiam a garrafa de vinho da noite anterior, os filmes que resultavam em discussões sobre relações, o cabelo embaraçado que ganhava significado, os devaneios sobre uma vida simples e cabanas feitas de container... Qual o tamanho do mundo que criamos nesses mais de quinhentos e vinte...

Diário: ansiedade

O mal do século me atingiu. Em uma geração na qual a maior parte dos jovens sofrem de ansiedade, hoje eu entro para a estatística dos afetados. Após muito tempo tranquila, hoje o stress bateu na porta e não parece estar disposto a sair tão cedo. As férias começaram há duas semanas e eu ainda não viajei, fato inédito nos últimos quatro anos. Estou enfurnada em um quarto sujo, com uma pilha de arquivos para selecionar, editar, lapidar e entregar prontos em pouco mais de 24 horas, um amontoado de contas que eu terei de pagar sozinha, plantas e uma gata que vão morrer se eu não encontrar alguém que cuide delas durante minha ausência, e isso tudo até às 9 da manhã de amanhã! Pego a estrada para o Rio e só na semana que vem eu volto para São João e vou, enfim, descansar na casa de meus pais. Mas isso só acontecerá se eu conseguir resolver todos os trâmites dessa vida adulta que não muito me agrada. Há um peso nas minhas costas, um aperto no peito, a tristeza por ter que encarar a edição de ...

Tire os sapatos

Tire fora os sapatos, guria Sob teus pés mora o centro do mundo! Sinta o calor que impera na grama A pureza da pele desnuda  O frescor da brisa do outono... E faz dos teus pés morada de sonhos.