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Mostrando postagens de setembro, 2016

Ele era, para ela

Ele era, para ela, como as ondas que acariciam seus pés como a primeira luz do sol que de manhã entra pela janela como o aconchego do outono junto das cores na primavera como o catalisador de emoções, alegrias e ideias.  Ele era, para ela, o imaginário literário que ganhava vida como as palavras do Jovem Werther se fazendo palpáveis como os roteiros de Linklater com diálogos admiráveis como a paz da natureza em forma de homem. Ele era, para ela, a prova viva de que é possível compartilhar os planos mais íntimos, ínfimos, saborosos, legítimos, por amor. Ele era como a folha que caía da árvore com calma, que descansa sobre a palma da menina e a faz esquecer qualquer mesquinharia.  Mas ele é, para ela, principalmente o presente que a coincidência lhe deu com toda pureza e leveza de ser e estar, a liberdade de sentir saudade sem doer de viver a dois sem perder o uno, e de viver em um sem esquecer do duo. 

Em Paraty, chove.

Em Paraty, o tempo fechou há três dias, mesmo tempo desde a última vez em que vi o sol. Acordo todos os dias às 8, esfrego os pés no lençol, tento acordar meu corpo. Quando abro a janela, o sol não dá o ponta pé inicial de energia para começar a longa jornada de trabalho. Hoje decidi colocar meu computador de lado por um tempo e caminhar até a praia. De imediato começou a chover, e eu não me dei ao trabalho de procurar abrigo ou guarda chuva. Estava frio, meu xale voava com o vento, minha câmera já estava com a lente cheia de gotículas, eu estava sozinha. Em contraste com meu coração, que está feliz de mil formas que se possa imaginar, o tempo está bravo, gelado, corrosivo. Parei diante do mar, olhei para a parede de pedras que quebra a força das ondas. Ela fica ali, sob os pés dos viajantes na cidade, abriga ratos, fungos e histórias. Algumas das minhas, inclusive. Eu sentia saudade e talvez essa saudade aperte um pouco o peito e deixe o contexto ainda mais melancólico. Entre todos e...

Diário: o retorno do amor (ou do tormento)

No último domingo dois amigos meus se casaram. Fui madrinha. A cada palavra dos dois um para o outro eu derramava um dilúvio de lágrimas. Por trás da câmera que fotografava o acontecimento estava ele, o alvo de meu amor e saudade desde o inverno do ano passado. O sol batia em seus cabelos loiros e eu confesso que naquele momento já não olhava para ele com o carinho que há alguns meses faria. Ele era, para todos os efeitos, mais um amigo com quem em algum momento eu dormi. Claro que após todos aqueles meses, ao todo sete, desde a última vez em que nos vimos, meu coração já havia vivido todas as fases necessárias para a superação de um fim de relacionamento (se é que dá para chamar assim o que nós tivemos). Ao final da cerimônia a festa seguiu e acabamos conversando por alguns minutos, com a indiferença de dois conhecidos que já foram próximos. A música estava alta e começava a me incomodar, eu precisava de um tempo. Segui para a cachoeira, que desde o início da cerimônia estava gritand...