Em Paraty, chove.
Em Paraty, o tempo fechou há três dias, mesmo tempo desde a última vez em que vi o sol. Acordo todos os dias às 8, esfrego os pés no lençol, tento acordar meu corpo. Quando abro a janela, o sol não dá o ponta pé inicial de energia para começar a longa jornada de trabalho. Hoje decidi colocar meu computador de lado por um tempo e caminhar até a praia. De imediato começou a chover, e eu não me dei ao trabalho de procurar abrigo ou guarda chuva. Estava frio, meu xale voava com o vento, minha câmera já estava com a lente cheia de gotículas, eu estava sozinha. Em contraste com meu coração, que está feliz de mil formas que se possa imaginar, o tempo está bravo, gelado, corrosivo. Parei diante do mar, olhei para a parede de pedras que quebra a força das ondas. Ela fica ali, sob os pés dos viajantes na cidade, abriga ratos, fungos e histórias. Algumas das minhas, inclusive. Eu sentia saudade e talvez essa saudade aperte um pouco o peito e deixe o contexto ainda mais melancólico. Entre todos esses dias cinzas, espero a volta do sol, aproveitando o chuvisco. Entre todos esses dias de saudade, espero matá-la em breve, aproveitando o tempo finito das minhas fantasias.
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