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Mostrando postagens de março, 2018

fora de mim

Do alto da cabeça onde dizem viver a razão feito represa sem barragem que alaga tudo tomou conta de mim uma raiva explosiva de repente, eu era um turbilhão, sem noção queria pedir ajuda mais não sabia como os sentimentos se transformaram em ação quando vi já estavam mil cacos no chão a mão trêmula sem entender o porque. Mas queria mais, queria a mesa todos os pratos a televisão... Coitado do gato assustado. Caí de costas no vidro quebrado ser ar, sem vontade, sem visão busquei conforto no abraço feri o outro de antemão. E quando a fúria passa e a calma chega descansa sobre mim a culpa de sentir não controlo a vergonha de existir por maltratar quem nada tem a ver, por ser aquilo que nem eu quero ser... por explodir.

a pele que habitamos

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Dos meus lábios escorrem seu gosto e seu suor, que há tanto já se confunde com o meu. De tudo que vivo, que vinho, que sonho, não sabemos bem onde acaba você e começo eu. Desde o primeiro contato entre as epidermes, no primeiro choque, colou. Colamos. Se me perguntam qual o cheiro do vento, digo ser o teu. Muito do teu DNA descansa sob minhas unhas... Resultado de tanta saudade que matamos ainda todos os dias, de toda vida que vivemos até nos encontramos. Já dizia Drummond que sente-se saudade também do que não se viveu. Eu, na minha inocência descalça, sentia saudade de algo que ganhou forma em você. No seu sexo. Na sua rouquidão. Vivia feliz, agora vivo melhor. A cada despedida do sol me concentro nas curvas das tuas costas acesas. Contorno amarelo perfeito de toda poesia e atração existente. Te sinto mesmo quando não sinto a mim. Nas descobertas dos tantos eus que vivem nossos dias dentro de nós, cresço. Descubro. Quando penso me entediar, o laranja da tua barba me puxa de volt...