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Mostrando postagens de agosto, 2016

Ben and his plane

Você defende por anos a ideia de que as histórias românticas dos filmes e das músicas são uma invenção humana. Um clichê desnecessário, irreal, de um sistema cruel. E na maioria das vezes é... Até que uma dessas histórias acontece contigo. E não basta uma história de amor acontecer, ela ainda precisa vir acompanhada de praia, luz da lua, som das ondas e um sotaque britânico à la Dr. Who, vindo de lábios macios, que estão sob olhos verdes e cabelos loiros. Eu sei que isso tudo pode soar demasiado piegas, mas eu sou piegas da cabeça aos pés e é bom encontrar quem seja comigo. Se tem uma coisa que esses dias em Paraty me mostraram é como as coisas inusitadas são as mais deliciosas! Como a decisão de não passar uma noite em casa pode te colocar diante de um dos melhores momento da sua vida. De um dos momentos mais febris da sua vida. Como uma pequena escolha troca sua cama de hotel por uma noite rodopiando na areia nos braços de alguém incrível. Nós tínhamos um dia, depois dois e enfim, t...

Manhã de domingo

Naquela manhã de domingo, a chuva falou mais alto que o normal. Sentada no quintal, ouvindo as galinhas e observando o ritmo úmido do gramado, ela pensava em tudo que experimentara desde o inverno passado. Pensou no ano que viveu até aquele momento. O ano em que, pela primeira vez, soube o que era o amor. Todo mundo se lembra da primeira vez em que sentiu, pra valer, aquilo que os poetas cantam desde o início dos tempos: o amor puro, leve, tal qual é. Para ela, era difícil pensar que aquele sentimento, outrora tão forte e real, começava a se esvair, a se dissolver com a naturalidade do tempo que passa. Ela olhou para tudo o que viveu antes de encontrar "a pessoa", pensou nas tantas vezes e que pensou estar amando quando na verdade não estava. O amor, até que se manifeste, é mal compreendido. Pode ser facilmente confundido com a dor, com a euforia. Mas o amor, ela pensava, é calmaria. Ela voltou os olhos para porta da cozinha, o lugar em que pela primeira vez se deu conta d...

Lá vem ele

No quarto escuro, respiro minha existência.  Inspiro nostalgia. Expiro saudade. Teu nome nas entrelinhas de uma das canções   saltita diante de mim como a água em aço quente. Fico aqui dando voltas mentais, sozinha na cama, nunca encontro uma forma de seguir em frente. Não importa o tempo que passa... você fica.  Feito um bumerangue, sempre volta (direto na minha testa). E eu, feito uma criança, cambaleio, corro, tento pegar e nunca alcanço. Porque bumerangue que dá volta demais nunca vai acertar em cheio lugar algum.  E brinquedo que nunca dá certo, perde o apreço de quem  brinca. 

Alone

Insofar you get old and the wind blows faster solitude is what you expect. The pleasure of walk, contemplate, alone is from far the best thing we have even when you love someone the best is to know that you can keep foward on your own. (if you want)

Mesmos lugares, diferentes olhares

Novos olhares sobre os mesmos lugares. Analisando algumas fotos que tirei em São João del-Rei desde o dia em que cheguei aqui, é curioso como meu estado de espírito com relação à cidade modifica a forma como as fotos foram tiradas. Na primeira fase, em que eu odiava estar aqui porque não tinha ido para Pelotas estudar cinema, as as fotos são de pessoas, amigos e meu quarto, pouca paisagem, a cidade não muito me encantava. Na segunda fase, em que fui me apaixonando pela boemia do que é viver nessa cidade mineira, fotos no teatro, das ruas molhadas, da luz desfocada, da varanda, dos amores. Na terceira fase, em que eu estava bem com a cidade, apaixonada por alguém mas ainda assim querendo tentar transferência, quase não tenho fotos... Passava a maior parte do tempo estudando, paparicando e suspirando. Na quarta fase, em que me redescobri sozinha, adulta e feliz, me encantei aos poucos com o caos arquitetônico da cidade (apesar de todos os problemas), são fotos de coisas aleatórias, asfa...

Espelho

Na minha casa tem um espelho, um espelho velho que já foi de muita gente antes de ser nosso. Ele fica entre duas portas e é detalhadamente trabalhado. Quando olho pra ele, me pergunto quantas pessoas já se viram ali... Quantas histórias presenciou. Mas de tudo o que eu gosto nele, meu momento preferido é o por do sol, quando a cortina de renda desenha na parede com sua sombra e o sol colore o espelho de laranja. Não tem como não parar para olhar e ficar extasiado. É engraçado porque uma das minhas músicas preferidas começa assim: "home is where your heart is forever yarning". O que quer dizer, numa tradução livre, que lar é onde seu coração está sempre sedento, ansioso, admirado. Acho que é essa a sensação do espelho, de ver algo todos os dias e nunca se cansar da beleza que ele carrega. É quando a gente sabe que está em casa (ou em uma delas).

Livre e sozinho

Estive pensando em silhuetas. De seres, coisas e pessoas. Pensei nas tantas manhãs e tantos fins de tarde em que olhei para o sol mesmo tendo alguém em primeiro plano. Lembrei do sorriso tímido de um dos meus amores, no nariz protuberante de outro, da barba ruiva contornando o queixo de um outro, e a lista segue por páginas e páginas. Olhei para o copo contra a luz da janela e ele suava, eu só via o contorno e as gotas brilhando contra a luz alaranjada... Aquela água bem que podia ser o suor de alguém. Olhei pra folha pendurada no pessegueiro, dançando com o vento sob os holofotes do sol... Aqueles galhos entrelaçados bem podiam ser dois da nossa espécie. Nós dois, talvez. Olhei para um pássaro que voava sozinho, que se não fosse o horário não pareceria tão livre. Aquele pássaro bem poderia ser eu... Mas pensando bem, não era?