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Mostrando postagens de junho, 2016

Diário: Ligação band-aid

Hoje o dia foi uma coisa curiosa. Não, nada de muito novo, muito diferente, embora tudo tenha sido uma pequena e deliciosa aventura - até mesmo meu prato de almoço que, por falência de gás, foi pura e exclusivamente recheado por alimentos crus. Um ponto que vale ressaltar foi minha leve ansiedade, que também não foi das mais consideráveis se comparada aos níveis de ansiedade nos dias de hoje... Mas não deixa de ser uma ansiedade, principalmente para quem costuma estar sempre tranquilo. Ontem recebi uma ligação, alguém que aparentemente precisava de mim para se sentir melhor. Para o bem ou para o mal, essa pessoa em questão é aquele que guarda consigo um pedaço do meu peito. Eu, como boa amiga e ex amante que se importa com o bem estar do sujeito, jamais negaria tal ajuda, muito pelo contrário (embora não entendesse bem o porque de eu ter sido a pessoa procurada para tal ajuda). Em sua voz, podia sentir o peso, o desespero, o choro engolido... Conversamos como quem nunca teve desavença...

Diário: Os olhos da cor da grama

Era uma manhã de sexta-feira, diferente das demais. Eu estava longe de casa há pouco mais de uma semana e as viagens tendem a me deixar mais sensível. Naquele dia, acordei ao lado dos olhos verdes que há tantos dias me atordoavam - e distraíam da frustração dos últimos tempos. A luz entrava por entre a cortina (a muralha que nos separava do mundo) e chegava aos nossos pés, que involuntariamente se acarinhavam. Na estante sobre a cama, uma pilha de livros importantes, clássicos da literatura, expressão fiel da boêmia brasileira. Com suas mãos de seda, ainda contaminadas pelo cheiro de meu suor, o rapaz pegou um livro. Era Leminski. Leu em voz alta um de seus poemas preferidos. Eu me perguntava onde diabos ele se escondera por todo esse tempo! A tarde nós passaríamos no parque, um dos lugares mais aconchegantes da cidade e que, depois desse dia, ganhou um lugar ainda maior em meu coração. Era dia de sol!  E por mais que dias quentes não me agradem como um todo, fiquei feliz com ...

R U back?

I heard your voice at the phone... You said you miss me as I do... Am I dreaming? Is this true? Tomorrow you might be gone As you always have done... But 'till tomorrow comes are you back for how long?

I wish

I saw you walking by I could see your grief I could hear your shout I wish I could help... I wish I could be a relief. But a relief is not what you need. The only thing you want is bleed. You just wanna stay under rain... But I can not be your (fucking) pain.

Meu sobrenome é Piegas (sobre filmes românticos e eutanásia)

Em um desses domingos preguiçosos, em que por opção e prazer tornamos os acontecimentos melancólicos, decidi ir ao cinema sozinha. Sempre gostei de fazê-lo. O filme era um desses clichês românticos de nossos tempos e de duas coisas eu tinha (quase) certeza. 1: haveria lágrimas; 2: a trilha sonora contaria com Ed Sheeran (ou algum genérico do mesmo estilo). Meu consolo: era um filme britânico, ao menos eu teria o deleite do sotaque. Uma fila que quase dobrava a esquina estava composta por casais de todos os tipos, alguns bastante recentes e que, perdoem meu preconceito, só de olhar dava pra dizer que eles não ficariam juntos por muito tempo (mas isso fica pra próxima reflexão). Lá estava eu, uma romântica incurável, de vestido florido e tênis colorido, que mesmo sabendo que não seria nenhum Antes do amanhecer, faria com que as duas horas passassem rápido por meio de uma infiltração de ideais utópicas relacionadas ao amor. Vocês sabem como é, quando estudamos Comunicação e entramos em co...

Quando pensei não haver mais nada...

Molhei com os olhos a tua fotografia.  Não, não era a intenção. Foi erro de roteiro. Ação não planejada. Claquete não fechada. Mas meu peito, que ainda cultiva amor e saudade, esbarrou com a lembrança da tua voz... teu violão. E isso é demais, demais pra mim.  Minha pobre poesia não dá conta de expressar, aliviar, todo esse amontoado de sentimento... E tudo o que eu tenho são fotografias,  molhadas, espalhadas, cada vez mais antigas... nada novo... nada teu.  só saudade. 

Short story about leaves

Once I heard a story about two leaves that were friends. They were born at the same season and would have the same time of life. They were conected by the same twig, almost twins. One day, when winter was almost there and they knew that their time of life woudn't be much after the first snowflake, a couple sat under the tree and begun to talk. The girl was saying something about farewells and the boy was almost crying. Then the two leaves faced one another and started to pay attention in their voices. The boy said: "I'm pretty sure that this is just an end of a season, some isolated moment in our lives. Maybe I'm too optimistic, but what we had, what we shared, can not be forgoten. Even what dies go to somewhere, somehow is transformed in some kind of a new energy", at this point the two leaves understood what they were talking about. That was a goodbye. None of them would die, but "both" as "one" would not exist anymore. They thought about eve...

Delírio etílico

Naquele dia, passara da meia noite quando o álcool lhe subiu à cabeça. Um mundo passou diante de seus olhos e não era somente a música que ilustrava aquele episódio repleto de frustração: a vida era, em si, um deleite a ser apreciado, e lamentado (mesmo que momentaneamente). A luz do abajur contornava a estrutura de vidro que dava lugar ao líquido responsável por tal estado de alienação e sensibilidade. Sabia que aquele momento não duraria muito, a tristeza não lhe caía bem, não duraria mais que alguns minutos... Por esse motivo tinha de aproveitar tal sensação. Sabia que estava ali, mais perto que nunca, o responsável por seu peito dolorido e expectativas desconstruídas. Quão bela é a vida quando se mostra honesta, clara! Um dos poderes do vinho, eu suponho, é dar aos dias um novo sentido, uma verdade antes não vista. As luzes da janela tornavam-se cada vez mais desfocadas, indefiníveis... uma pintura surreal, tal como seu sentimento. Era hora de matar a garrafa, absorver o líquido av...

Tempo de inverno

"É tempo de inverno, amor! Tempo dos galhos secarem!", disse ele na última carta que escrevera. Motivado pelos dias de solidão intensa, fizera do papel um escape ao frio. Frio que fortificava-se na ausência de seu nome. Do nome dela. A menina aquecia-lhe o cobertor, mas principalmente o peito - feito raro em tempos de amores efêmeros. Sentia na xícara deixada na pia o calor de sua pele macia, os resquícios de sua presença deixados pelas digitais. Há dias não lavava a louça. A bagunça deixada por ela era ainda a única lembrança visual que restara. Caminhava toda manhã, como era de costume, e tudo o que via eram galhos secos, frutos invisíveis. Na certa aqueles galhos no chão, sem vida, eram uma metáfora para sua própria situação: sem sustenção nutricional, caíra diante da primeira ventania, aniquilado pelo mal da estação. É tempo de inverno. Os dias são frios. Mas ele gosta do frio! Ser folha seca não lhe soa ruim. Gosta da ideia de secar agora, voltar a ter cor com a primaver...

Envelope

Perdi o envelope com a tua fotografia.  Lá estava a minha preferida: você sorria.  Os óculos refletiam o céu, as folhas... meus cabelos. Com o papel, foram-se embora também as tardes de domingo, as manhãs de segunda. Despedidas? Não mais. Não mais que um adeus. Onde eu enfiei esse maldito envelope?

Chuva e alergia

A chuva durou pouco. Que pena.  É nela que vive a lembrança viva do teu toque.  Não mais que um vulto nas minhas memórias.  Sempre foi assim...  Você vinha como a chuva de verão que alivia a seca, curava minhas alergias e ritmava minha respiração... Depois ia embora. Fugaz. Com pressa. Me deixava ali,  com a cama vazia e a rinite atacada.