Diário: Ligação band-aid

Hoje o dia foi uma coisa curiosa. Não, nada de muito novo, muito diferente, embora tudo tenha sido uma pequena e deliciosa aventura - até mesmo meu prato de almoço que, por falência de gás, foi pura e exclusivamente recheado por alimentos crus. Um ponto que vale ressaltar foi minha leve ansiedade, que também não foi das mais consideráveis se comparada aos níveis de ansiedade nos dias de hoje... Mas não deixa de ser uma ansiedade, principalmente para quem costuma estar sempre tranquilo. Ontem recebi uma ligação, alguém que aparentemente precisava de mim para se sentir melhor. Para o bem ou para o mal, essa pessoa em questão é aquele que guarda consigo um pedaço do meu peito. Eu, como boa amiga e ex amante que se importa com o bem estar do sujeito, jamais negaria tal ajuda, muito pelo contrário (embora não entendesse bem o porque de eu ter sido a pessoa procurada para tal ajuda). Em sua voz, podia sentir o peso, o desespero, o choro engolido... Conversamos como quem nunca teve desavenças, e de fato penso que nunca tivemos (de verdade) uma. Falamos sobre coisas da vida, desde possibilidades de mestrado à temperatura de nossos corpos diante do frio que fazia. Não falei sobre nós, ao menos não até que o assunto viesse dele. "Era bom dividir banhos contigo... Nós vamos dividir banhos de novo, um dia?", queria eu saber dar a resposta a ele, até porque, era algo que, sinceramente, só dependia dele. Eventualmente, nos despedimos carinhosamente e fui para meu banho (que, diga-se de passagem, foi ainda mais prazeroso que o de costume). Em consequência dessa conversa, hoje o dia foi um pouco diferente por contar com essa mini excitação com relação a algo que, eu bem sei, não muda nada, mas que me fez bem. Havia me esquecido do quanto gostava de conversar com aquele boêmio jovial. Infelizmente, não muito diferente das demais vezes, com o passar do dia ele não se fez muito presente. O fato é que dizer "muito obrigado" é muito mais fácil que agir como alguém grato. Isso não atrapalhou meu dia, mas me fez sentir, ainda que levemente, uma espécie de band-aid. Fico feliz em ajudar as pessoas, principalmente aquelas que me causam palpitação involuntária... Ainda assim, dessa vez, nesse caso, o resultado não me foi tão prazeroso quanto esperado. Por agora, vou ficar com meu Damien Rice de cada dia e esperar que as pessoas que procuram umas as outras do lado de fora da minha janela tenham um final mais célebre.

Comentários