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Mostrando postagens de setembro, 2017

É o tumor falando

Eu me lembro de uma fase de Grey's anatomy em que um dos personagens teve câncer. O tumor era no cérebro e afetava um lugar em que a comunicação e o humor eram comprometidos. Constantemente a personagem ofendia amigos ou falava coisas sem sentido. Nos momentos em que isso acontecia, uma das amigas (e médica) dizia: "it's the tumor talking", ou seja, "é o tumor falando". A parte mais difícil de qualquer condição, principalmente quando se trata de doenças, é a aceitação de que você a tem. Isso vale também para as doenças psicológicas, mais graves ou mais leves. Todas elas igualmente difíceis no início. Sabe quando você faz algo e não entende o porque? Você fica mal depois por ter feito, por ser algo completamente contrário a tudo que você acredita e quer pra sua vida. Pois é. Ao mesmo tempo, admitir pra si mesmo que a culpa não é exatamente sua não é fácil. Eu me pego, diversas vezes, diante de situações como essa e, amigos, que barra! Não estou sendo dramáti...

Um conto qualquer

Igor tinha 28 anos e vivia seus dias como o pássaro da esquina em que passou grande parte de seus dias, ao som do pandeiro na companhia do copo americano. Ciscando de mesa em mesa, batendo papo como quem não se apega. Acordava por obrigação, comia por obrigação, contemplava por obrigação, amava por obrigação e, consequentemente, sofria por obrigação. E nessa vida onde não reconhecia seu poder de escolha, passava o tempo, virava o ano, continuava se afogando em amores e, quando não saía como o esperado, em cigarros. Fazia mestrado, contornava a porta da casa da vizinha, ajudava o Marquinhos sempre que podia. Ele invejava o menino que pedia uns trocados todas as manhãs para tomar guaraná, invejava a liberdade que o menino tinha, de viver e escolher tudo que pode e como pode. Pensava se no fundo ele também não podia... Não ia além desse questionamento. Na última semana daquela temporada de inverno, Igor voltou pra casa por outro caminho, desviou da fonte de água mineral rodeada por coroa...

Um ano

Sob meus pés: água gelada e terra Nas mãos inquietas: infância e pedras Enquanto as nuvens correm sem rumo Jogamos pedras e trocamos lembranças Sua mão me toca mais uma vez... E um ano passou como a água que corria ao nosso redor naquele dia Um ano e temos nossa casa Um ano e temos nossa vida Um ano e minhas viagens se tornaram nossas Um ano que passou feito um dia, E também feito dez anos. Hoje, olhando pela varanda do nosso apartamento Dois anos após o primeiro beijo, um ano após o segundo primeiro Vendo as luzes da cidade se acendendo Só penso no quanto contemplar com você no cômodo ao lado é bom. Penso no som da cachoeira daquele dia... O momento em que nossa história ganhou uma música: O canto da água e do vento. Foi espontâneo, leve e natural Como nós. E o que mais eu poderia querer?