Bem me quer, mal me quer
"Bem me quer, mal me quer", disse o vento em voz alta para as margaridas agitadas pela sua força. As flores, que cambaleavam para os lados incessantemente, não entendiam bem qual o alvo dos pensamentos do vento. "Bem me quer, mal me quer", continuou. Curiosa, uma das pequenas decidiu perguntar: O que aflige seus pensamentos? O vento, já muito envolvido pela sua reflexão, havia se esquecido do poder de fala das flores brancas. Respondeu: "Há tempos os sinos não respondem aos meus estímulos, já não sei o que os fizeram parar de cantar". As margaridas agora se lembravam do sino de vento que ficava na varanda e vivia exaltado nas tardes de forte ventania. O vento continuou: "Já soprei tanto quanto podia, até assobiar sozinho assobiei e nada". As pequenas sabiam o que havia acontecido. Dias atrás ouviram os lamentos da senhora que caminhava por ali todos os dias pela manhã. Após a morte do mais velho da casa, os sinos foram retirados e guardados. Ele...