365

Qual o tamanho do mundo que inventamos nos 365 dias desde nosso primeiro encontro? Tudo que se passou, desde o segundo em que nos embramamos no banheiro mofado da casa cheia... O que aconteceu até os últimos minutos que antecederam minha fuga de sua casa em um domingo ensolarado. Um mundo de estrofes foram escritas por nossos corpos. Ouço o relógio cada vez mais alto, cada vez mais baixo, cada vez mais longe, cada vez mais mentiroso. Quanto tempo cabe em oito mil e setecentas e sessenta horas? Sete meses que arrasaram com a força de anos, que desenharam sutilmente o fim de nossas noites, nossos finais que semana, que já era previsto. O gramado sob nossos pés nas tardes no parque, as manhãs preguiçosas que seguiam a garrafa de vinho da noite anterior, os filmes que resultavam em discussões sobre relações, o cabelo embaraçado que ganhava significado, os devaneios sobre uma vida simples e cabanas feitas de container... Qual o tamanho do mundo que criamos nesses mais de quinhentos e vinte cinco mil minutos? Hoje, quase mais tempo separados que juntos, ainda sinto como se esse mundo, que é só meu, fosse nosso. Não há o que celebrar, não é uma data a se lembrar. Não, pela primeira vez não sinto saudades. Já não me lembro do teu gosto... Do teu canto ainda me lembro um pouco. Tudo o que segue daqui em diante é a dura realidade de um amor inexistente e a esperança de que a contagem comece de novo, do 1 à próxima marca dos 365.

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