Diário: ansiedade
O mal do século me atingiu. Em uma geração na qual a maior parte dos jovens sofrem de ansiedade, hoje eu entro para a estatística dos afetados. Após muito tempo tranquila, hoje o stress bateu na porta e não parece estar disposto a sair tão cedo. As férias começaram há duas semanas e eu ainda não viajei, fato inédito nos últimos quatro anos. Estou enfurnada em um quarto sujo, com uma pilha de arquivos para selecionar, editar, lapidar e entregar prontos em pouco mais de 24 horas, um amontoado de contas que eu terei de pagar sozinha, plantas e uma gata que vão morrer se eu não encontrar alguém que cuide delas durante minha ausência, e isso tudo até às 9 da manhã de amanhã! Pego a estrada para o Rio e só na semana que vem eu volto para São João e vou, enfim, descansar na casa de meus pais. Mas isso só acontecerá se eu conseguir resolver todos os trâmites dessa vida adulta que não muito me agrada. Há um peso nas minhas costas, um aperto no peito, a tristeza por ter que encarar a edição de um videoclipe cheio de erros de filmagem cometidos por esta que vos fala. Não consigo me concentrar porque sei que não poderei fazer muito com relação a isso, e é uma pressão grande, tendo em conta que eu quero trabalhar com música e que meu primeiro trabalho pode estar sendo um fracasso. Há algo de errado num mundo em que aos 22 anos eu sinto ter mais coisas para fazer que meus pais quando tinham 30! Tudo ganha um peso maior quando estamos ansiosos (estou descobrindo isso agora). Acho que quando ficamos bem por tempo demais, é um pouco difícil lidar com as coisas ruins que aparecem sem avisar. Sinto saudades de meu antigo companheiro, que também é videomaker, para me acalmar nas horas em que o vídeo parece ter parado no tempo. De toda forma, agora não tenho material, criatividade, ânimo ou alguém para me tranquilizar. Eu sei que quando terminar isso vai parecer uma grande bobagem ter me sentido assim. Até lá, vou escrevendo textos que ninguém lerá e chorando as pitangas sobre a minha incompetência (mesmo sabendo que não deveria exigir tanto de mim aos 22 e no primeiro trabalho).
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