Nesses dias úmidos caminhamos na rua abraçados pela chuva. Cada passo nosso é feito andar em água... A gente afunda, se refresca e flutua. Nos desligamos do fato de que ao nosso redor há uma multidão de pessoas cheias de pensamentos aleatórios e vagamos, sozinhos, feito poeira de tapete batido na janela. Caímos, descansamos. Pairamos solitários, aparentemente desconectados, como as folhas que caem das árvores e flutuam no ritmo da água do lago. A gente se deixa levar. Esquece dos trabalhos e das contas pra pagar. Bom mesmo é poder caminhar assim, como quem nada no ar. Contemplar a dança das próprias mãos contra a luz do fim de tarde, entrar no apartamento e sentir no lençol o molhado de todo caminho até ali. Ouvir a chuva caindo, cantando, dormindo...

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