Sol e sombra

Vi de longe a sombra descansar na porta
ao se encostar exausta moveu os dedos
não sabia se entrava ou ali fazia morada
as demais formas ao seu lado dançavam
(no mundo das sombras o vento é sujeito)

Como quem não se segura, se deixou dançar
ora era folha, ora prédio, ora criança, ora tédio
comeu um pássaro e um mendigo, numa rodada
transformou dois em um e três em nada
ao contrário do que se espera do movimento,
descansou.

Quando a dança calou, já havia sido tanto
que nem a porta precisou abrir para sair
viveu de dentro, como quem canta mudo
tornou-se o mundo, até o sol cair...
e morreu.

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