Xícara de mudança
Tudo muda. Tudo. A única certeza humana é a da impermanência. Hoje de manhã eu estava pensando nas coisas das quais sinto falta da vida no campo... De acordar de manhã e ver o sol acendendo o gramado molhado de orvalho, na luz aparecendo na hora certa (porque não há prédios no seu caminho), no cheiro das folhas acordando, no chá que eu tomava enquanto observava tudo ao meu redor e conversava com as abelhas. O chá na xícara que foi presente de casamento dos meus pais. Disse ao meu namorado o quanto gostaria de poder ter feito faculdade e vivido tudo o que eu vivi sem abandonar a simplicidade da vida em meio ao verde. Ele disse ser um momento, que vamos ter tudo isso logo menos. Não que não haja poesia onde eu vivo e vivi nos últimos anos; É diferente. Pensei em todas as mudanças que vivi até aqui, na dor inicial de toda grande quebra de hábitos e habitats. Andar em harmonia, de mãos dadas com o ritmo ininterrupto de mudanças da vida é o objetivo, é o ideal de felicidade. Tenho estado cada vez mais certa da importância de estarmos em equilíbrio com as metamorfoses dos dias. "Todo caminho é o caminho certo". Mas confesso, ainda me apego a pequenos costumes que remetem ao meu passado bucólico. O chá de olhos fechados, que me leva de volta à luz matutina na casa da minha infância. O chá quente que me traz a lembrança dos lábios do meu amor. As simbologias que criamos para lidar com as mudanças inevitáveis... A beleza de viver o que é vivo, o que é agora, o que é real. Tudo muda. Mais uma xícara de chá?
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