49 dias sem nós

Há algo nesse quarto de domingo que causa incômodo. Seria a limpeza?
Para onde foram os lençóis compartilhados? As fronhas cobertas de DNA?
Os nós em meus cabelos e a vermelhidão em minhas coxas há tempos
soam como lenda! Para ser mais precisa, há exatos 49 dias. 

Em 1.095 dias, nunca por mais de 20 tive meu corpo inerte ao toque alheio.

Hoje, em mais um final de semana de cama vazia e playlists sinestésicas
Me vejo contando os dias, as horas, as fotos, desde a última manhã em que 
estive entregue aos desejos instintivos da carne e do prazer humano. 

A vida toma um rumo diferente quando nos abstemos dessa forma de contato.

Os personagens das comédias românticas começam a se aproximar de nós...
Nossa realidade parece entrar em consonância com a as camisas de flanela
com a qual passamos o final de semana inteiro, em casa, comendo, vendo cinco,
às vezes seis, filmes em menos de 20 horas. A comédia faz sentido!

A diferença mora em um detalhe: do contrário dos personagens de Hollywood

na vida real não há a tal espera incansável por alguém que complete os
finais de semana solitários. Eles são vividos com deleite. Em um mundo com
tantos seres em pânico e confusos, nada como uma dose de nós mesmos!

Bom... os nós no cabelo e os suores incansáveis formam uma ausência sentida.

Mas no final das contas, qual o sentido do cabelo embaraçado se antes disso
ele não estiver arrumado?

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